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Trabalho à Quente NR‑18 NR‑34

por esst | jan 7, 2026 | Medicina do Trabalho, Segurança do Trabalho | 0 Comentários

Trabalho à Quente

Trabalho à quente: o que é, o que dizem as NRs 18 e 34 e como se proteger

Trabalhos de soldagem, corte e desbaste fazem parte da rotina de muitas empresas. Apesar de comuns, eles são classificados como trabalho à quente porque geram calor, faíscas ou chamas capazes de incendiar materiais combustíveis. A Norma Regulamentadora 18 (NR‑18), aplicável à construção civil, e a NR 34, direcionada à construção e reparação naval, definem que soldagem, goivagem, esmerilhamento e corte são considerados trabalho à quente (gov.brgov.br). Por isso, essas atividades exigem planejamento, equipamentos adequados e equipe treinada. Infelizmente, algumas empresas ainda tratam o tema de forma burocrática e ignoram a execução prática: em situações de emergência, o tempo de reação pode significar a diferença entre um incidente controlado e uma tragédia.

Neste artigo você vai entender o que é trabalho à quente, quais são as exigências das NRs 18 e 34 e quais são as boas práticas para garantir a segurança dos profissionais. 

O que é trabalho à quente?

A NR‑18 define trabalho à quente como as atividades de soldagem, goivagem, esmerilhamento, corte ou outras que possam gerar fontes de ignição (gov.br). Já a NR 34 repete esse conceito e lembra que as medidas de proteção englobam tanto atividades rotineiras em áreas preparadas quanto intervenções em locais improvisados (gov.br).

Soldagem

Soldagem é o processo de união de materiais (metais ou termoplásticos) por meio de calor com ou sem pressão e material de adição. Ao atingir alta temperatura, as partes fundem‑se e formam uma junta. Existem diversos processos de soldagem (eletrodo revestido, MIG/MAG, TIG, oxi‑acetilênica etc.), mas todos geram calor, fumaça e faíscas que podem iniciar incêndios.

Goivagem

A goivagem é uma técnica usada para remover metal indesejado de uma peça. Ela é empregada para retirar cordões de solda defeituosos, remover oxidação ou abrir ranhuras para posterior soldagem. Na prática, a goivagem combina alta temperatura com pressão de gás para derreter o metal e expulsá‑lo através de um jato de ar; por isso é considerada trabalho à quente (blog.balmer.com.br).

Esmerilhamento

Esmerilhamento (ou lixamento/desbaste) consiste em remover material de uma superfície com o auxílio de abrasivos em alta rotação. O disco de esmerilhadeira gira em grande velocidade, cortando ou desbastando o metal e produzindo faíscas. Assim como a solda e a goivagem, o esmerilhamento cria fontes de ignição e deve seguir as mesmas medidas de segurança.

O que as NRs 18 e 34 exigem

Análise de risco e inspeção preliminar

Antes de iniciar qualquer trabalho à quente, a NR‑18 determina que seja elaborada uma análise de risco específica quando houver materiais combustíveis no entorno ou quando o serviço ocorrer em área não isolada (gov.br). A NR 34 complementa que o local e as áreas adjacentes devem ser inspecionados, garantindo que estejam limpos, secos e sem agentes combustíveis, inflamáveis, tóxicos ou contaminantes, e que a atividade só seja liberada após verificação (gov.br).

Trabalhador observador

A análise de risco pode exigir um trabalhador observador, responsável por vigiar toda a operação até o fim do serviço (gov.br). Esse observador deve ser capacitado em prevenção e combate a incêndio (gov.br) e permanecer em contato com a equipe, pronto para acionar os sistemas de emergência. A NR 34 reforça essa exigência, estabelecendo que o observador receba treinamento com carga horária mínima conforme o Anexo I (gov.br).

Proteção contra incêndio

As normas destacam a importância de eliminar ou controlar possíveis fontes de incêndio, instalar proteções físicas contra respingos, fagulhas e calor, manter sistemas de combate a incêndio desobstruídos e próximos da área de trabalho e inspecionar os locais ao término das atividades (gov.br). A NR 34 repete essas medidas e acrescenta que a proteção deve evitar interferência em outras atividades ou na circulação de pessoas (gov.br).

Controle de fumos e ventilação

Os fumos e gases gerados durante a solda e o esmerilhamento são perigosos. Tanto a NR‑18 quanto a NR 34 exigem limpeza adequada da superfície antes de iniciar o processo e renovação de ar ou ventilação forçada para eliminar gases, vapores e fumos (gov.br gov.br). Caso a composição do revestimento ou dos gases seja desconhecida, a NR 34 orienta a utilização de equipamentos de proteção respiratória específicos, previstos no Programa de Proteção Respiratória (gov.br).

Uso e armazenamento de gases

Quando o trabalho à quente utiliza gases (oxigênio, acetileno, argônio etc.), é necessário usar apenas gases adequados, seguir as determinações da Ficha de Dados de Segurança (FDS), utilizar reguladores de pressão calibrados e acendedores apropriados (gov.br gov.br). As normas proíbem a instalação de adaptadores entre cilindro e regulador e exigem a instalação de dispositivos contra retrocesso de chama nas mangueiras e maçaricos (gov.br gov.br).

Quanto ao armazenamento, os cilindros devem permanecer em posição vertical, fixados e afastados de chamas, fontes de calor ou materiais inflamáveis (gov.br gov.br). É proibido instalá‑los ou armazená‑los em espaços confinados (gov.br gov.br), e, sempre que o serviço for interrompido, as válvulas dos cilindros e maçaricos devem ser fechadas (gov.br gov.br).

Outras medidas

  • Parada imediata em caso de mudança das condições ambientais, avaliando ventilação e riscos antes de retomar o trabalho (gov.br gov.br).
  • Proibição de emenda de mangueiras sem utilizar conector conforme especificação técnica (gov.br gov.br).
  • Cuidado com equipamentos elétricos: devem estar aterrados, usar cabos de bitola adequada e com isolação em perfeito estado (gov.br).

Boas práticas para trabalho à quente

Além de cumprir as normas, algumas recomendações práticas ajudam a reduzir ainda mais os riscos:

  1. Leia e entenda as Fichas de Dados de Segurança (FDS) dos gases usados na solda ou no corte para conhecer riscos de asfixia, toxicidade e inflamabilidade.
  2. Leia os manuais dos equipamentos (máquinas de solda, lixadeiras, esmerilhadeiras, furadeiras, tochas, etc.) e siga rigorosamente as recomendações dos fabricantes.
  3. Use válvulas corta‑chamas tanto na saída do cilindro quanto na caneta do maçarico para impedir o retrocesso de chama.
  4. Treine observadores e equipe, incluindo primeiros socorros e combate a incêndio, e nunca execute trabalho à quente sozinho; a NR 18 exige que o observador esteja presente quando o risco demandar (gov.br).
  5. Verifique a rotação por minuto (RPM) da máquina e do disco: usar discos inadequados ou desgastados pode causar explosões ou desprendimento de partes do disco.
  6. Faça a Análise Preliminar de Riscos (APR) e emita Permissão de Trabalho (PT) quando necessário, especialmente em áreas não preparadas. Documente o raio de abrangência e isole a área, conforme prevê a NR 34.
  7. Utilize Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) adequados: aventais e mangas de raspa, luvas de proteção térmica, proteção facial, óculos com filtro específico para soldagem, protetores auditivos e vestimentas antichama.

Como a tecnologia pode ajudar

Gerenciar todas essas exigências apenas em planilhas e documentos físicos é demorado e propenso a erros. Sistemas digitais de gestão de SST, como o eSST, permitem cadastrar equipamentos, manter fichas FDS disponíveis, registrar APR, controlar treinamentos dos trabalhadores e enviar alertas sobre vencimentos. Além disso, o histórico de inspeções e treinamentos fica acessível para auditorias e processos de eSocial, aumentando a segurança jurídica da empresa.

Conclusão

Trabalhar com solda, goivagem ou esmerilhamento não é trivial. As normas NR‑18 e NR‑34 exigem planejamento, análise de risco, inspeções prévias, uso correto de gases e equipamentos, além de vigilância constante durante a execução. Ao entender que trabalho à quente é sinônimo de risco de incêndio, as empresas deixam de ver o tema como mera burocracia e passam a adotá‑lo como uma estratégia de proteção da vida e do patrimônio.

Investir em treinamento, em equipamentos adequados e em sistemas de gestão de SST é fundamental para garantir que os procedimentos estejam claros, simples e práticos. Mais do que cumprir a lei, trata‑se de preservar trabalhadores, evitar acidentes graves e construir uma cultura de segurança.

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