DDS: motiva ou desmotiva? Como conduzir um Diálogo Diário de Segurança efetivo
Você já se perguntou se o DDS na sua empresa motiva ou desmotiva os colaboradores? O Diálogo Diário de Segurança foi concebido como um espaço para comunicar riscos, promover a interação e discutir as atividades a serem realizadas. Em muitos locais, porém, esse momento se transforma em um sermão: uma sequência de broncas e cobranças que afasta a equipe e mina a cultura de segurança. Neste artigo, vamos entender como conduzir um DDS efetivo e motivador, evitando temas inadequados e transformando o encontro em um pilar de prevenção e engajamento.
O que é o DDS e qual a sua importância?
O Diálogo Diário de Segurança é uma breve reunião, geralmente realizada no início do turno, para discutir preocupações, riscos e procedimentos de segurança. A TOTVS destaca que o DDS faz parte do programa de segurança de qualquer empresa, pois ajuda a garantir que todos estejam na mesma página quando se trata de procedimentos e boas práticas, e identifica perigos potenciais antes que se tornem acidentes (abrasfe.org.com). O encontro costuma durar de 5 a 15 minutos, deve contar com a presença dos líderes e de toda a equipe e pode ser utilizado para transmitir recados rápidos relacionados à produção. O DDS também é uma oportunidade de registrar temas discutidos em um livro ou sistema para fins de auditoria e melhoria contínua (abrasfe.org.com).
Por que um DDS motivacional é mais eficaz?
Conduzir um DDS como uma bronca não constrói cultura de segurança. Especialistas da Zenklub lembram que comportamento seguro não é “culpar a pessoa”, mas sim criar um contexto favorável com responsabilidades compartilhadas. Um DDS sobre comportamento seguro deve ser direto e não deve soar como uma bronca, mas como orientação. Relatar quase acidentes ou falhas deve ser feito sem punição, incentivando a participação e o reporte. Perguntas simples como “O que pode dar errado nesta atividade agora?” ajudam a estimular a reflexão e o engajamento (zenklub.com.br).
Líderes que usam o DDS para “puxar a orelha” muitas vezes desmotivam quem trabalha corretamente. O blog Segurança do Trabalho NWN alerta que nas empresas o SESMT geralmente aparece apenas para cobrar o uso de EPIs e apontar erros, mas não conversa com quem faz tudo certo ou busca entender os desafios dos colaboradores. Esse comportamento cria distanciamento e desperdiça oportunidades de ouvir sugestões e dificuldades. A solução passa por inverter a lógica: falar com a equipe para ouvir, reconhecer comportamentos seguros e incentivar que todos contribuam com melhorias (seguracadotrabalhonwn.com).
Assuntos que devem ficar de fora
Embora o DDS seja um momento de interação, alguns temas simplesmente não têm lugar nesse ambiente. A Associação Brasileira de Engenharia de Segurança e de Medicina do Trabalho (Abrasfe) recomenda evitar temas polêmicos, como Aids, religião, drogas e álcool, e concentrar‑se nos assuntos relacionados à segurança (abrasfe.org.com). A dica vale para outros temas divisivos como política, futebol e tópicos pessoais que possam constranger minorias. O objetivo do DDS é criar um ambiente de prevenção e motivação, e não abrir espaço para discussões que gerem tensão.
Além disso, a forma de comunicação importa. O mesmo texto da Abrasfe reforça que o técnico de segurança deve ter cuidado com a forma com que fala, sem transformá‑lo em um show autoritário. Uma postura acolhedora encoraja o diálogo e dá exemplo de respeito (abrasfe.org.com).
Empatia e escuta ativa
Conduzir um DDS motivacional exige empatia. A SST Online destaca que profissionais de segurança muitas vezes cobram o uso de EPIs de forma grosseira, sem perceber que um colaborador pode estar passando por dificuldades pessoais. Antes de cobrar, é importante conversar e entender os motivos que levam alguém a descumprir uma regra. A empatia ajuda a perceber se alguém precisa mais de apoio do que de uma bronca. Assim, o DDS torna‑se um momento de cuidado, onde se constrói confiança e se fortalece a cultura de segurança (sstonline.com.br).
Dicas práticas para um DDS efetivo
- Planeje o tema: Escolha assuntos alinhados com a fase da operação (trabalho em altura, uso de EPIs, organização, etc.) e registre em cronograma.
- Mantenha o foco: Limite a reunião a 5–15 minutos. Vá direto ao ponto, sem divagar sobre interesses pessoais.
- Evite temas polêmicos: Deixe de fora assuntos como religião, política ou críticas pessoais.
- Interaja e escute: Faça perguntas abertas e incentive que todos participem. Use exemplos do dia a dia e transforme erros em oportunidades de aprendizagem.
- Reconheça e motive: Valorize comportamentos seguros e reconheça publicamente quem parou um trabalho por risco. Aplauda iniciativas, sugira melhorias e busque soluções coletivas.
- Registre e acompanhe: Mantenha um sistema para registrar temas discutidos, participações e ações de melhoria. Sistemas digitais de SST, como o eSST, podem ajudar a planejar DDS, enviar lembretes e registrar evidências para auditorias.
Conclusão
O DDS é uma ferramenta poderosa para reforçar a cultura de prevenção, mas seu sucesso depende de como é conduzido. Em vez de sermões e cobranças, transforme o diálogo em um espaço de orientação, escuta e motivação. Evite temas polêmicos, trate as pessoas com respeito e use a empatia para entender os desafios que elas enfrentam. Ao planejar temas relevantes, ouvir as contribuições e reconhecer boas práticas, você fortalece a cultura de segurança e inspira sua equipe. Use ferramentas de gestão para organizar os encontros, registrar os temas e acompanhar ações. Afinal, a prevenção não acontece no grito, mas na conversa e na construção coletiva.